Aumento de capital do BAD evita que países africanos paguem juros de 9%

Aumento de capital do BAD evita que países africanos paguem juros de 9%

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, defendeu esta terça-feira (22), que o aumento de capital proposto aos accionistas vai permitir que os países africanos possam endividar-se com juros mais baratos que actualmente.

“Um aumento de capital do Banco permitiria emprestar a países de baixo rendimento com taxas concessionais, em vez de irem aos mercados e acumularem mais dívida com juros de 9 ou 9,5%, que são muito, muito altos, e muitas vezes em operações de curto prazo, quando comparadas com os empréstimos de longo prazo que os bancos multilaterais lhes oferecem”, defendeu o banqueiro, na conferência de imprensa inaugural dos Encontros Anuais do BAD, que decorrem esta semana em Busan, na Coreia do Sul.

“É aqui que o papel dos bancos multilaterais de desenvolvimento se mostra crucial”, defendeu Adesina, vincando que as recentes emissões de dívida pública nos mercados internacionais por parte de vários países africanos, como Angola, mostram confiança nas economias da região.

“Há vários países a emitir ‘eurobonds’, há muita confiança, até porque a procura foi maior que a oferta, nos mercados internacionais de capital, o que é bom, mas acredito que o papel de financiamento por parte das instituições multilaterais de desenvolvimento é hoje mais crucial do que nunca”, argumentou o presidente do BAD.

Sobre a questão da dívida pública em África, Adesina desdramatizou a subida do rácio da dívida face ao PIB, salientando: “Tenho a impressão que alguns pensam que estamos numa crise da dívida, mas não estamos, absolutamente, porque se olharmos para o rácio da dívida face ao PIB, vemos que em 2000 era de 22%, e em 2017 era de 35%, o que não é assim tão mau, até porque 40% é a média”.

Os títulos de dívida pública dos países africanos em dólares têm uma taxa de juro média de 6,91%, o que compara com os 5,66% no princípio de janeiro, de acordo com os índices do Standard Bank Group, citados pela agência de informação financeira Bloomberg.

Só este ano, os países africanos, como a Nigéria, o Quénia, o Senegal, Egito ou Angola, já emitiram 18,3 mil milhões de dólares em dívida pública, o que ultrapassa o total do ano passado, ainda antes de serem contabilizados os 2,5 mil milhões que o Gana planeia emitir e os 3 mil milhões em preparação pela África do Sul.

O Governo de Angola emitiu, já este mês, 3 mil milhões de dólares em dívida pública, com 1.750 milhões emitidos a 10 anos com juros de 8,25%, e mais 1.250 milhões a 30 anos com juros de 9,375%.

A reunião dos governadores do BAD decorre esta semana na Coreia do Sul e tem como tema oficial ‘Acelerando a Industrialização de África’, e decorre num contexto de crescimento fraco no continente e de dívida pública excessiva.

Os Encontros Anuais são uma das maiores reuniões económicas sobre o continente africano, juntando chefes de Estado, acionistas de referência no setor público e privado, governadores dos 80 bancos centrais que são acionistas do BAD e académicos e parceiros para o desenvolvimento.

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