Madeira apreendida por suspeita de fraude

Madeira apreendida por suspeita de fraude

Cento e dezoito metros cúbicos de madeira de espécies protegidas foram apreendidos na última sexta-feira pelo sector de Florestas e Fauna Bravia na província Zambézia, que exige comprovativos de que o produto não foi dissecado à margem da lei.

A madeira, que estava a ser transportada em cinco camiões, igualmente apreendidos, encontra-se armazenada no distrito de Nicoadala e os transportadores não quiseram prestar declarações à imprensa, alegando que o assunto deve ser tratado com os proprietários da mercadoria que, entretanto, se escusaram a identificar.

O chefe da Repartição da Fiscalização nos Serviços Provinciais de Floresta e Fauna Bravia, na Zambézia, Pedro Benjamim, confirmou a apreensão da madeira devido a dúvidas sobre a origem do produto e suspeita da legalidade da documentação que acompanha a mercadoria. Explicou que, na sequência, decorre o levantamento e análise de informações para se saber da origem da madeira e, caso se confirme que houve violação da lei florestal, o infractor será penalizado com multa.

Pedro Benjamin disse ainda que desde o início do ano foram apreendidas sete viaturas transportando madeira em pleno período de defeso. Os camiões, ainda de acordo com a fonte, foram apreendidos nos distritos de Alto Molócuè, Mocubela e agora em Nicoadala, regiões que fazem limite com a Reserva Nacional do Gilé, onde operadores furtivos têm vindo a abater ilegalmente madeira para depois exportar a partir dos Portos de Nacala e Beira e, nalguns casos, através da fronteira terrestre de Meloso, no distrito de Milange.

No caso da madeira apreendida no distrito de Alto Molócuè, confirmou-se que o operador estava a exercer ilegalmente o corte e transporte de madeira. Depois da averiguação, os Serviços Provinciais de Florestas e Fauna Bravia aplicaram uma multa de 540 mil meticais e a madeira reverteu a favor do Estado.

Actualmente, segundo Pedro Benjamim, estão a ser analisadas as apreensões de madeira em Mocubela e Nicoadala, havendo o compromisso de partilhar os resultados do trabalho de investigação com os meios de comunicação social.

Entretanto, no caso específico de Nicoadala, o “Notícias” apurou que se trata de madeira cortada ainda este ano, sendo que a maioria dos toros não estão sequer identificados. No terreno confirmamos informações dos denunciantes e conseguimos ainda apurar que a madeira de espécie umbila foi cortada na Reserva Nacional de Gilé com indicações de origem de duas concessões.

Entre os toros que a nossa Reportagem viu nos camiões, uns estão identificados e outros não têm qualquer tipo de inscrição e já está a germinar. Segundo especialistas, a madeira abatida pode germinar no período de três dias.

Há fortes indícios de a madeira apreendida em Nicoadala ter sido cortada muito recentemente, havendo informação dando conta que o seu destino era o distrito de Mocuba mas, devido à oferta de preços, ela estava ser desviada para o Porto da Beira, transportada em camiões de uma empresa com sede na capital provincial de Sofala.

Os meses de Janeiro a Março são considerados períodos de defeso e, à luz da lei florestal, não se deve cortar nem transportar madeira nesta época. Todavia, camiões transportando madeira de espécies protegidas têm sido vistos, desde Janeiro a esta parte, a sair da Reserva Nacional de Gilé e outros pontos da província da Zambézia para as províncias de Nampula, Beira e Porto de Quelimane.

Fonte: Notícias

Deixe uma resposta