MozTech quer mostrar o futuro a Moçambique, porque ficar de fora da “sociedade do conhecimento” não é opção

MozTech quer mostrar o futuro a Moçambique, porque ficar de fora da “sociedade do conhecimento” não é opção

Entre os dias 9 e 11 de Maio o centro de conferências Joaquim Chissano recebe a quinta edição da MozTech, dedicado ao tema «Construção de uma Sociedade de Conhecimento Hiperconectada». Mas, afinal, porque é tão importante para Moçambique debater o assunto?

Vivemos uma época onde impera um novo paradigma. Há vários autores que descrevem este período como “sociedade da informação”, “sociedade em rede”, “sociedade da aprendizagem” ou “sociedade do conhecimento”. Basicamente, o mundo tornou-se mais pequeno, com um intenso e sempre em mutação fluxo de informações, indo de um ponto do globo para o outro em menos de um fechar de olhos, graças a tecnologias digitais que usam a Internet como via-rápida.

Tal como descreve o sociólogo britânico Andy Hargreaves, no livro «O Ensino na Sociedade do Conhecimento», o mundo actual é um lugar “onde o conhecimento é um recurso flexível, fluido, sempre em expansão e em mudança”. Mas também é “um mundo desterritorializado, onde não existem barreiras de tempo e de espaço para que as pessoas se comuniquem”, acrescenta o estudo português «Sociedade da Informação, do Conhecimento e da Aprendizagem: Desafios para Educação no Século XXI».

Contudo, a principal característica é que “agora todo o planeta está conectado” entre si, explica em entrevista o espanhol Manuel Castells, conhecido pelo seu contributo sociológico através de livros como «A Sociedade em Rede».

“Existem sete mil milhões de números de telemóvel no mundo e 50% da população adulta do planeta tem um smartphone. A percentagem será de 75% em 2020. Consequentemente, a rede é uma realidade generalizada para a vida quotidiana, as empresas, o trabalho, a cultura, a política e os meios de comunicação” adianta. “Entrámos plenamente numa sociedade digital (não o futuro, mas o presente) e teremos que reexaminar tudo o que sabíamos sobre a sociedade industrial, porque estamos noutro contexto”.

Em suma, quem não apanhar o comboio desta nova realidade arrisca-se a ficar de fora. Conforme Castells escreve em «A Sociedade em Rede», “as redes globais de intercâmbios instrumentais conectam e desconectam indivíduos, grupos, regiões e até países, de acordo com sua pertinência na realização dos objectivos processados na rede, em um fluxo contínuo de decisões estratégicas”.

Assim sendo, e tendo em conta este paradigma, o que deve fazer cada país para não ficar para trás neste novo modelo de sociedade e de progresso, e como o fazer?

A importância da MozTech

A MozTech, evento dedicado às tecnologias de informação e comunicação em Moçambique, “com o objectivo de fomentar a cultura e a tecnologia como pilar para o crescimento e desenvolvimento económico do País”, tal como refere a organização através de comunicado, vai procurar, este ano, dar algumas respostas a esta questão.

A feira vai contar, entre os dias 9 e 11 de Março, com a presença de Carlos Mesquita, Ministro dos Transportes e Comunicações, Leda Hugo, Vice-Ministra da Ciência e Tecnologias, Ensino Superior e Técnico Profissional e de Marie Andersson de Frutos, embaixadora da Suécia em Maputo.

A edição deste ano “contará com um conjunto de conferências que visam abordar as diferentes tecnologias e a forma como podem ser usadas para estimular a competitividade e o desenvolvimento do país, assim contribuindo para o seu crescimento”, frisa o texto enviado à imprensa.

No lote de oradores nacionais e internacionais, que já confirmaram presença, estão Nuno Cepeda (Novabase), Esselina Macome (FSD Moc), Stuart Michie, (ABB África do Sul), Luís Miguel Silva (Altice Labs Portugal), Alcido Nguenha (Seacom), Amrith Nawoor, da Oracle Coporation, Jorge Octávio (Millennium bim) e Nélson Rodrigues (UNICEF).

Muitas “ideias brilhantes” e prémios para dar

Tempo ainda, ao longo dos três dias, para várias ‘Tech Talks’, apresentações onde são “concedidos 10 minutos para industriais, especialistas, empreendedores e estudantes subirem ao palco e defenderem uma ideia brilhante ou simplesmente irreverente”, salienta a organização. “O objectivo é provocar novas reflexões e circular perspectivas ‘fora da caixa’ sobre o mundo em que vivemos”.

O centro de conferências Joaquim Chissano estará ainda “preenchido por stands individuais para as empresas exibirem as suas soluções tecnológicas”, nomeadamente, “produtos e serviços de diferentes sectores de actividade”, na área dos média, banca, comunicações móveis, hardwaresoftware”, entre outras.

Tudo terminará com os Prémios MozTech, onde serão distinguidas e galardoadas “iniciativas de mérito na área das tecnologias” em Moçambique.

Fonte: Lusa

Deixe uma resposta